VITICULTURA

Da Lava ao Copo: O Ciclo de uma Vindima Heroica

António Soares, Enólogo Chefe  ·  12 Set 2024  ·  6 min de leitura

Em setembro, quando o atlântico começa a arrefecer e os dias encurtam, as vinhas do Pico guardam o último calor da pedra de lava. A vindima heroica não é apenas um método de colheita — é um pacto entre o viticultor e a ilha.

O Terroir de Basalto

As curraletas — os muros de pedra preta que quadriculam a paisagem do Pico — não são apenas marcos históricos. São a razão pela qual o Verdelho sobrevive aqui. Cada parede absorve o calor do sol durante o dia e liberta-o de noite, criando um microclima que nenhuma estufa reproduz.

A colheita é feita à mão, cesto a cesto. Não por romantismo, mas porque as máquinas não passam entre os muros. Cada cacho é inspecionado individualmente — os menos maduros ficam, os perfeitos seguem para a adega.

“A vinha no Pico não cresce para cima; ela rasteja pela lava, procurando o calor da pedra durante a noite.”

António Soares na encosta das curraletas, setembro 2024.

Da Adega à Garrafa

Após a vindima, as uvas descem para a adega escavada na lava. A fermentação acontece a temperatura natural — as paredes de basalto mantêm os 16–18°C sem mecanismos artificiais. A 2024 foi uma colheita particular: menos quantidade, mais concentração. A seca de julho fez trabalhar as raízes fundo.

O Verdelho 2024 será engarrafado em março. Edição limitada: 1 200 garrafas. As inscrições para a prova de barrica abrem em outubro.

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